«naturezas mortas»
«Na sua beleza horrivelmente bela, este livro é fruto poeticamente maduro de uma visão terrÃfica da existência animalesca e da bestialidade sexual que tudo viola e mutila. Os versos finais do texto «temos uma definição segura» condensam a ironia da sua hipermoral: «existimos / como simples emanação / dos animais» (p. 21). A existência é uma ganadaria e um açougue, eis a leitura mais óbvia. Por isso as filhas da mãe são puras naturezas mortas do poema, fraquezas da carne deglutida pelos cães de Bosch e transformada em carcaça de Rembrandt.»